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Presença nas bases, fé e esperança deram a tônica do 28º Políticos Cristãos

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Encontro promovido pelo Mandato Miguel Ângelo reuniu na cidade de Dom Cavati mais de 200 lideranças de 62 cidades.
Foto oficial do 28º Encontro de Políticos Cristãos

“Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem” (Rm 12,21). Esse foi o lema do 28º Encontro de Políticos Cristãos, que aconteceu de 28 a 30 de março, na Casa do MOBON – Movimento da Boa Nova -, em Dom Cavati, no Leste de Minas. Cerca de 200 lideranças, de 62 municípios, se reuniram para refletir e renovar o compromisso de fé e transformação da sociedade. Realizado anualmente, o Políticos Cristãos tem 30 anos de história — veja como foi o de 2024.

Entre os assessores do Encontro, estava o presidente do Tribunal de Contas de Minas, conselheiro Durval Ângelo. Ele ressaltou que o sentido cristão deve ser o de Jesus cidadão da Galileia, que inclui todos e todas que sejam do bem. “Quem não é contra nós é ao nosso favor” (Mc 9,40), acrescentou, citando diferentes denominações religiosas, como muçulmanos, budistas e candoblecistas. E arrematou: “só somos humanos se sentimos a dor do outro”.

Deputado Miguel Ângelo
Conselheiro Durval Ângelo

A conjuntura nacional foi outro tema abordado. Segundo o deputado Miguel Ângelo, o momento atual é desafiador, mas também de esperança de superação do fascismo e do extremismo. “A prisão de Bolsonaro é o primeiro passo e recado para quem flerta com o conservadorismo”, afirmou. Entre os desafios, está o de eleger mais deputados do grupo, ressaltou.

O parlamentar apontou como complicador a possibilidade de Rodrigo Pacheco não ser mais o candidato do campo da esquerda ao governo de Minas. Já a boa notícia são as duas candidaturas do campo ao senado: a da prefeita Marília Campos (PT) e a da ex-deputada Áurea Carolina (PSOL).  “Nacionalmente, o cenário é muito favorável. São eles que não têm candidato”, acrescentou Miguel.

Por sua vez, o deputado estadual Marquinho Lemos ressaltou a importância da organização de base e das associações representativas. Para ele, os maiores êxitos da esquerda ao longo da história vieram dos movimentos sociais, cujos frutos continuam sendo colhidos.

Mística e espiritualidade

João Resende

A reflexão sobre espiritualidade foi um dos pontos altos do 28º Encontro de Políticos Cristãos.  “A força de luta está na fé em um Deus libertador, que caminha conosco, anima a nossa esperança e ajuda a vencer o medo. Um Deus que nos anima a construir a democracia”, introduziu João Resende.

Símbolo do Encontro, a janela foi motivação para a reflexão. Fechada a janela, a escuridão domina e a casa é sombria. Quando é aberta, a luz entra e se vence as trevas. Para João Resende, hoje, no Brasil, as janelas estão se abrindo e surgem novas oportunidades, sendo que pela primeira vez, crimes contra a democracia estão sendo julgados.

Utilizando a mesma simbologia, Irmão Denilson Mariano abordou as janelas pelas quais Deus fala às pessoas: a do coração, que só se abre por dentro, a da natureza, que desperta a sensibilidade, a da adversidade, e a Bíblia, palavra de Deus. Ele alertou que é fundamental vencer a polarização extrema e violenta, mas sem se amoldar a ela. “Temos que pensar diferente e ajudar a pensar diferente”, frisou.

Mística
Irmão Denilson Mariano
Encontro foi animado por muita música

Extrema direita sem direção

A consolidação da extrema direita no Brasil foi discutida pelo professor da PUC-Rio Paulo Fernando.

Ele apresentou alguma de suas características: desprezo pela vida, o esquema amigo-inimigo; o discurso do ódio contra os que são colocados de fora (os inimigos); o patriarcalismo; o militarismo; o ataque ao Estado e aos direitos.

Por outro lado, o professor considera o cenário atual positivo, uma vez que, com a condenação e prisão de golpistas, o grupo extremista perdeu a liderança e a direção. Lembrou, no entanto, que o Brasil tem o pior Congresso Nacional de sua história. “São uma sub-representação do que há de pior na extrema direita”.

Professor Paulo Fernando

Sobre a Igreja Católica, a expectativa é que haja uma continuidade do papado de Francisco, ao lado das causas populares e contra o cristofascismo.

Geraldo Leite

O avanço da extrema direita também foi abordado pelo advogado Geraldo Leite. Para ele, as principais características desse campo político são: argumentação superficial; guerra cultural permanente; ausência de um projeto real de país; criação de inimigos internos; retórica de despersonalização; forte apropriação das mídias digitais.

Segundo Leite, a extrema direita atua para fragilizar instituições e tensionar a democracia, e a eleição de Lula representou um freio a essas forças, permitindo a reafirmação do Estado de Direito, a reversão de medidas autoritárias e a reconstrução de políticas públicas.

Políticos cristãos no meio do povo

A necessidade de que todos estejam no meio do povo, junto às bases, foi uma diretriz presente em todas as discussões. “A cabeça pensa onde os pés pisam”, lembrou Durval Ângelo. Também avaliou que se antes as esquerdas estavam desanimadas, agora se abiu uma grande janela de oportunidades, com significativos acertos do Governo Lula.

Deus e o amor são experiências vividas, e não racionalizadas. Deus está no outro e o amor é a forma concreta de manifestar essa presença. A reflexão foi apresentada pelo professor de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo, Maurício Abdalla. Ele fez referência a Che Guevara, para quem a capacidade de sentir a dor do outro seria a marca maior de um revolucionário.

Professor Maurício Abdalla

Discutindo a utopia, Abdalla levantou dois sentidos: a utopia ilusória, que paralisa e cria distâncias intransponíveis; e a utopia esperançosa, que mobiliza e impede a aceitação do mundo dado. Já a esperança gera ação transformadora e pertence apenas ao sujeito. Abdalla defendeu que a mística precisa ser alimentada continuamente, por meio da vida comunitária e da cultura popular. “O objetivo da política não pode ser apenas manter mandatos”, destacou.

Já a coordenadora da Escola de Fé e Política da Diocese de Guaxupé, Professora Thaisa, chamou a atenção para a baixa presença de determinados grupos nos espaços de poder.

Thaisa destacou que a democracia só é plena quando inclui todas as vozes, e denunciou estruturas que silenciam as mulheres, não acolhem a maternidade e perpetuam desigualdades salariais e violência política de gênero.

Reencantar é preciso

“Reencantar a política” foi a tônica do último painel do Encontro de Políticos Cristãos. Cida de Jesus frisou que as discussões abordaram esperança e cidadania, e levantou como reflexão: “como reencantar nossa esperança, nossas ações, a partir do lugar em que estamos, onde militamos, trabalhamos, criamos nossos filhos?”

Segundo Cida, existe um desencantamento porque ainda há muitos desafios: segurança pública, população em situação de rua; discriminação racial, LGBTfobia; violência de gênero (vamos trazer para o reino de Deus todos os corpos?); extremismo religioso e ideológico. E reforçou: o extremismo fortalece o desencanto porque reforça o individualismo.

Outra constatação importante, apresentada por Geraldo Leite, é a de que eleição é disputa de projeto, de modelo de Estado e sociedade e de narrativas. Ele lembrou, ainda, que quem mais precisa da política é o povo.

Por fim, voltou a frisar que foi fator essencial para o avanço da extrema direita o uso da comunicação como arma política, com o domínio da comunicação digital e das redes sociais.

Cida de Jesus e Geraldo Leite

Pastora Sônia
Palestras tiveram grande participação

Ao final do evento, a avaliação dos participantes foi de que superou as expectativas, com ótimos assessores, qualidade de conteúdo, ricos momentos de mística e confraternização. O próximo  Encontro de Políticos Cristãos foi agendado para 27, 28 e 29 de novembro de 2026.

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